A medida se aplica a cerca de 2,5 milhões de unidades consumidoras (residenciais de maior porte, comércios, indústrias de menor porte e rurais), que respondem por aproximadamente 25% do consumo em baixa tensão no Brasil. Consumidores de baixa renda e os que têm tarifa com desconto social estão excluídos da proposta.
A Tarifa Horária diferencia os valores pagos de energia conforme o horário do consumo, refletindo com mais precisão os custos reais do sistema: tarifas mais baixas nos períodos de maior oferta de energia renovável (como entre 10h e 14h) e tarifas mais altas nos períodos de maior demanda (como no início da noite). O objetivo é incentivar consumidores de alto consumo a deslocar cargas e atividades intensivas para os horários de menor custo, gerando economia individual e eficiência para o sistema elétrico.
O período para envio de contribuições à consulta pública vai de 10 de dezembro de 2025 a 9 de março de 2026. A previsão é de que, após o processo de análise e contribuições, a implementação possa ocorrer até o fim de 2026.
Neste contexto, é importante avaliarmos como os modernos sistemas de Automação Residencial e Predial podem contribuir positivamente para compatibilizar as necessidades dos consumidores com um gasto euilibrado e até mesmo reduzido em relação às condições atuais.
Entendemos que a Automação Residencial e Predial é um elemento-chave para viabilizar e maximizar os benefícios da tarifa horária, especialmente para consumidores de maior consumo, pois permite adequar o perfil de demanda ao sinal econômico da energia de forma automática, contínua e transparente para o usuário.
Em primeiro lugar, sistemas de automação integrados a medidores inteligentes, EMS (Energy Management Systems) e plataformas de BMS possibilitam o monitoramento em tempo real do consumo, com visualização por faixa horária e identificação dos principais centros de carga. Isso cria a base técnica necessária para decisões informadas e para o controle automatizado.Além disso, a automação permite o deslocamento automático de cargas para os períodos de menor custo tarifário. Equipamentos como aquecedores de água, bombas, sistemas de climatização, carregadores de veículos elétricos e até eletrodomésticos podem ser programados ou gerenciados dinamicamente para operar fora do horário de ponta, reduzindo significativamente o custo final da energia sem perda de conforto.
Outro ponto relevante é a integração com geração distribuída e armazenamento. Em residências com sistemas fotovoltaicos e baterias, a automação pode otimizar o uso da energia gerada localmente, priorizando o consumo nos horários mais caros e armazenando energia nos períodos de menor tarifa ou maior geração solar. Essa lógica aumenta a eficiência econômica do sistema como um todo.
Por fim, a automação também contribui para a resposta à demanda, permitindo ajustes automáticos de carga em situações de pico do sistema elétrico, o que está alinhado aos objetivos da ANEEL de maior eficiência operacional, redução de custos sistêmicos e melhor aproveitamento das fontes renováveis.
Em síntese, a automação deixa de ser apenas um recurso de conforto e passa a atuar como uma ferramenta estratégica de gestão energética, fundamental para que consumidores de alto consumo se adaptem de forma eficiente ao novo modelo de tarifa horária.
