O mercado global de Smart Homes (ou Casas Inteligentes) vive um dos ciclos
de expansão mais consistentes da indústria de tecnologia aplicada às
edificações. Estudos recentes da Future Market Insights indicam que o
setor deve praticamente dobrar de tamanho na próxima década, impulsionado pela
convergência entre automação, conectividade, inteligência artificial e
eficiência energética.
Segundo
o relatório “Smart Home Market – Global Industry Analysis 2025–2035”, o
mercado mundial deve evoluir de cerca de US$ 216 bilhões em 2025 para
aproximadamente US$ 489 bilhões até 2035, mantendo uma taxa média de
crescimento anual próxima de 8,5%.
No
entanto, em países como Brasil, onde esta tendência começou a ser impulsionada recentemente,
esta média será ainda maior.
Mais
do que uma tendência de consumo, a automação residencial passa a integrar uma
transformação estrutural do ambiente construído. A residência conectada deixa
de representar conforto e entretenimento e assume um papel estratégico na
gestão energética, segurança, sustentabilidade e integração digital dos
edifícios.
Entre
os segmentos com maior expansão estão:
·
sistemas inteligentes de segurança e controle de acesso;
·
iluminação automatizada;
·
climatização inteligente (HVAC);
·
gerenciamento de energia;
·
monitoramento remoto;
·
assistentes por voz integrados;
·
dispositivos IoT conectados em ecossistemas interoperáveis.
Um
dos aspectos mais relevantes apontados pelo estudo é a crescente importância da
interoperabilidade entre plataformas. Protocolos como o Matter estão ganhando
destaque ao permitir maior integração entre dispositivos de diferentes
fabricantes, reduzindo barreiras históricas do setor e ampliando a
escalabilidade das soluções inteligentes.
Outro
vetor importante é a incorporação acelerada de inteligência artificial nos
sistemas residenciais. A IA passa a atuar na automação preditiva, adaptação
comportamental dos ambientes, otimização energética e manutenção preventiva,
criando edificações mais responsivas e eficientes.
O
estudo também evidencia que o avanço do mercado não depende apenas de novas
construções. O retrofit tecnológico desponta como um dos principais motores de
crescimento mundial, especialmente diante do enorme estoque de edificações
existentes que demandam atualização de infraestrutura digital, conectividade e
eficiência operacional.
Nesse
cenário, a infraestrutura tecnológica torna-se elemento central dos projetos
contemporâneos. Redes estruturadas, conectividade sem fio robusta, integração
entre sistemas, cibersegurança e capacidade de atualização passam a ser
considerados componentes essenciais da edificação moderna.
Os
desafios, entretanto, acompanham a expansão do setor. O relatório destaca
preocupações relacionadas à segurança cibernética, privacidade de dados,
compatibilidade entre plataformas e obsolescência tecnológica — temas que
exigem cada vez mais participação de especialistas em integração de sistemas e
tecnologia aplicada às edificações.
Esta
tendência também reforça uma mudança definitiva no conceito que precisa ser
adorado pelos investidores e incorporadoras: edifícios inteligentes deixam de ser exceção e
caminham para se tornar padrão nas próximas décadas e, portanto, a inclusão
desta disciplina de projeto é necessária desde a fase de pré-lançamento
dos novos empreendimentos residenciais.

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