CES 2026 em Las Vegas: uma visão geral do evento


A Consumer Electronics Show (CES) 2026, considerada a maior feira de tecnologia do mundo, abriu oficialmente em Las Vegas nesta semana. O evento reúne mais de 4.500 expositores, cerca de 1.400 startups e dezenas de milhares de visitantes profissionais e da imprensa, distribuídos por múltiplos pavilhões e locais na cidade.

Tendências tecnológicas dominantes

1. Inteligência Artificial (IA) em todos os setores

A IA é o foco central da CES 2026. Diferente de anos anteriores, a tecnologia está sendo integrada não apenas em software, mas se manifesta também no mundo físico, através de robótica, dispositivos inteligentes e soluções do dia a dia.

A IA está sendo usada para:

    • Automação e personalização de experiências de consumo
    • Robótica prática (assistentes domésticos e industriais)
    • Dispositivos conectados e smart homes
    • Processamento e aceleradores de IA em hardware

2. Robótica avançada

Robôs reais com utilidade prática estão sendo destaque, incluindo demonstrações de humanoides e robôs que realizam tarefas domésticas e industriais. Empresas tradicionais e startups estão apresentando soluções que vão além de simples protótipos.

3. Chips de alto desempenho e hardware para IA

Fabricantes de semicondutores estão anunciando novo hardware que vai impulsionar o processamento de IA diretamente em dispositivos — laptops, aparelhos e sistemas integrados — reduzindo a dependência da nuvem e aumentando eficiência energética.

4. Experiências imersivas e displays avançados

Tecnologias de display, como telas Micro RGB LED com maior brilho e fidelidade de cor, estão sendo reveladas. Fabricantes como Samsung mostram TVs inovadoras que prometem elevar o padrão de qualidade de imagem para 2026

5. Saúde digital e mobilidade

A área de tecnologia para saúde (wearables, monitoramento remoto, diagnósticos assistidos por IA) ganha espaço no evento, refletindo a demanda global por soluções de bem-estar e cuidados personalizados. Paralelamente, a mobilidade inteligente, incluindo veículos autônomos e soluções para transporte urbano, também está em destaque.

Destaques e atrações específicas

  • Samsung tem um pavilhão de exposição independente focado em IA para o cotidiano, com experiências de dispositivos conectados e companheiros digitais.
  • NVIDIA está gerando grande interesse ao apresentar sua visão de “physical AI”, modelos de IA que interagem com o mundo real e novas plataformas de chips.
  • Uber e Lucid Motors apresentaram um robotáxi luxuoso autónomo, com experiências personalizadas para passageiros.
  • Expositores em robótica doméstica mostram robôs cada vez mais capazes de tarefas práticas, como dobrar roupas ou ajudar em casa.
  • Startups e tecnologias emergentes em áreas como gadgets interativos e IA aplicada a brinquedos, saúde e automação atraem atenção de investidores e mídia especializada

Temas transversais no evento

Além das tendências de produtos, a CES 2026 está sendo usada como plataforma para:

  • Debates sobre governança e impacto social da tecnologia
  • Painéis sobre resiliência de cadeias de suprimento e futuro do trabalho
  • Networking e parcerias globais entre empresas, governos e instituições.
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Para mais detalhes, visite o site oficial do evento clicando aqui  

Tendências de Edifícios Inteligentes e Adoção de Tecnologia


O relatório 2025 Smart Building Trends & Technology Adoption, publicado pela ASHB, apresenta uma análise abrangente sobre o estágio de adoção, os desafios e as oportunidades associadas às tecnologias para edifícios inteligentes na América do Norte. O estudo baseia-se em uma pesquisa conduzida pela Harbor Research, com 308 profissionais envolvidos na propriedade, operação, gestão e TI de edifícios nos Estados Unidos e no Canadá, abrangendo empreendimentos comerciais, residenciais multifamiliares, industriais, hospitalidade e instalações críticas.

Os resultados indicam que a adoção de tecnologias inteligentes permanece elevada, com 91% dos respondentes já utilizando dispositivos, sistemas ou softwares inteligentes em seus edifícios. Os principais vetores de investimento continuam sendo a redução de custos operacionais, a eficiência energética, a sustentabilidade, a resiliência operacional e a melhoria da experiência dos ocupantes. Sistemas de HVAC, distribuição elétrica, iluminação e segurança são considerados os mais críticos e concentram os maiores níveis de investimento e modernização.

Apesar da ampla adoção, o relatório evidencia que muitos sistemas ainda operam em níveis intermediários de maturidade digital, com forte presença de monitoramento e automação, mas uso limitado de recursos avançados de inteligência artificial e manutenção preditiva. Esse descompasso entre conectividade e inteligência analítica é apontado como uma das principais oportunidades para evolução do setor.

Os Sistemas de Automação Predial (BMS/BAS) seguem como o núcleo dos edifícios inteligentes, com 78% de adoção, crescimento acelerado de soluções baseadas em nuvem e aumento do interesse por modelos híbridos. Ao mesmo tempo, persistem preocupações relacionadas à cibersegurança, privacidade de dados e conformidade regulatória, que influenciam decisões de arquitetura tecnológica.

A pesquisa destaca ainda a rápida expansão do uso de Inteligência Artificial e Gêmeos Digitais. Mais da metade das organizações já utiliza gêmeos digitais, principalmente para monitoramento em tempo real, otimização energética e manutenção preditiva, com impactos percebidos como altamente positivos em eficiência operacional, conforto dos usuários e redução de custos. A adoção é mais intensa em grandes portfólios e edifícios de maior porte, mas cresce também em empreendimentos de uso misto.

No campo da sustentabilidade, o relatório mostra um avanço relevante na maturidade das organizações: 75% possuem metas formais de neutralidade de carbono, e mais da metade já conta com roadmaps definidos para alcançá-las. A eficiência energética é impulsionada principalmente por motivações econômicas, embora requisitos regulatórios e metas ESG tenham ganhado importância crescente.

Entre os principais desafios identificados estão os altos custos iniciais, a complexidade de integração com sistemas legados, a falta de competências internas, além de dificuldades na gestão, análise e monetização dos dados gerados pelos edifícios. Ainda assim, 81% dos respondentes afirmam que o retorno sobre o investimento (ROI) atendeu ou superou as expectativas, reforçando a atratividade do mercado.

Em perspectiva, o relatório conclui que o setor de edifícios inteligentes se encontra em um ponto de inflexão, no qual pressões regulatórias, metas de sustentabilidade, transformação digital e avanços em IA e cloud convergem para sustentar um novo ciclo de investimentos. Organizações que conseguirem alinhar tecnologia, dados, pessoas e modelos financeiros estarão melhor posicionadas para capturar valor e liderar a próxima fase de inovação no ambiente construído.

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Para solicitar uma cópia (em inglês) do resumo deste relatório, visite este site da ASHB

Otimização da Iluminação Natural para Saúde, Eficiência e Sustentabilidade

A iluminação natural — também chamada de daylighting — é uma estratégia de projeto que busca maximizar a entrada de luz do sol em ambientes internos. Sua adoção adequada pode trazer benefícios diretos à saúde dos ocupantes, redução do consumo de energia elétrica e melhoria da performance ambiental de edifícios, sendo uma peça-chave em projetos sustentáveis e voltados ao bem-estar humano.

Benefícios para a Saúde e Bem-Estar

A exposição à luz natural tem efeitos fisiológicos importantes. Estudos indicam que a luz do dia ajuda a regular ritmos circadianos, aumenta os níveis de serotonina — melhorando o humor e reduzindo fadiga — e pode elevar a produtividade e a concentração de usuários em ambientes de trabalho, educação ou saúde.

Aspectos de Projeto para Iluminação Natural

Para obter desempenho eficiente de iluminação natural, não basta apenas adicionar janelas. É necessário um planejamento integrado envolvendo:

  • Layout espacial: Plantas abertas e posicionamento de divisórias que permitam a penetração profunda da luz
  • Proporção de janelas e profundidade dos ambientes: Relação equilibrada para promover distribuição uniforme da luz
  • Superfícies internas refletivas: Paredes, tetos e pisos claros aumentam a reflexão da luz natural, reduzindo a necessidade de iluminação artificial.

Em espaços com restrições para abertura de janelas, soluções como claraboias e dispositivos tubulares de daylighting (TDDs) podem levar luz natural até áreas internas profundas sem comprometer a integridade do projeto.

Normas e Padronizações

Padrões como LEED e WELL incorporam critérios mínimos de iluminação natural, como métricas de autonomia da luz do dia e exposição solar, incentivando não só eficiência energética, mas também conforto visual e biológico dos ocupantes.

Influência do Entorno e Orientação

A performance do daylighting depende fortemente da orientação solar, do entorno urbano e de sombras projetadas por edifícios circundantes. Projetos em áreas densamente construídas exigem análise cuidadosa para equilibrar ganho de luz e controle de ofuscamento.

Tecnologias e Materiais de Apoio

O uso de tecnologias avançadas pode melhorar a eficiência da iluminação natural:

  • Vidros de alto desempenho e sistemas translúcidos que filtram e distribuem a luz.
  • Elementos que redirecionam de luz (como prismatic glazing ou light shelves) que ampliam a penetração da luz em ambientes profundos.
  • Eficiência Energética e Sustentabilidade

Adotar estratégias de daylighting pode reduzir significativamente a demanda por iluminação artificial — que representa uma parcela importante do consumo elétrico de um edifício — contribuindo para menores emissões de carbono e custos operacionais ao longo da vida útil da edificação.

Conclusão

A otimização da iluminação natural é uma abordagem multifacetada que combina saúde, conforto, eficiência energética e sustentabilidade. Projetos que integram estratégias de iluminação natural desde as fases iniciais de concepção, considerando tanto fatores arquitetônicos quanto ambientais, tendem a gerar espaços internos mais saudáveis, confortáveis e energeticamente eficientes, alinhados com práticas modernas de design sustentável.

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Este artigo é uma tradução resumida baseada em publicação do site Buldings.com

Utilizando automação para otimizar o impacto da modernização tarifária de energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu a Consulta Pública nº 46/2025 para discutir a proposta de aplicar automaticamente a Tarifa Horária — também conhecida como Tarifa Branca — para consumidores conectados em baixa tensão com consumo mensal igual ou superior a 1.000 kWh (1 MWh). Essa proposta visa modernizar o modelo tarifário e alinhar a conta de luz à realidade atual do sistema elétrico brasileiro, que tem forte participação de fontes renováveis como solar e eólica. 

A medida se aplica a cerca de 2,5 milhões de unidades consumidoras (residenciais de maior porte, comércios, indústrias de menor porte e rurais), que respondem por aproximadamente 25% do consumo em baixa tensão no Brasil. Consumidores de baixa renda e os que têm tarifa com desconto social estão excluídos da proposta. 

A Tarifa Horária diferencia os valores pagos de energia conforme o horário do consumo, refletindo com mais precisão os custos reais do sistema: tarifas mais baixas nos períodos de maior oferta de energia renovável (como entre 10h e 14h) e tarifas mais altas nos períodos de maior demanda (como no início da noite). O objetivo é incentivar consumidores de alto consumo a deslocar cargas e atividades intensivas para os horários de menor custo, gerando economia individual e eficiência para o sistema elétrico. 

O período para envio de contribuições à consulta pública vai de 10 de dezembro de 2025 a 9 de março de 2026. A previsão é de que, após o processo de análise e contribuições, a implementação possa ocorrer até o fim de 2026

Neste contexto, é importante avaliarmos como os modernos sistemas de Automação Residencial e Predial podem contribuir positivamente para compatibilizar as necessidades dos consumidores com um gasto euilibrado e até mesmo reduzido em relação às condições atuais.

Entendemos que a Automação Residencial e Predial é um elemento-chave para viabilizar e maximizar os benefícios da tarifa horária, especialmente para consumidores de maior consumo, pois permite adequar o perfil de demanda ao sinal econômico da energia de forma automática, contínua e transparente para o usuário.

Em primeiro lugar, sistemas de automação integrados a medidores inteligentes, EMS (Energy Management Systems) e plataformas de BMS  possibilitam o monitoramento em tempo real do consumo, com visualização por faixa horária e identificação dos principais centros de carga. Isso cria a base técnica necessária para decisões informadas e para o controle automatizado.

Além disso, a automação permite o deslocamento automático de cargas para os períodos de menor custo tarifário. Equipamentos como aquecedores de água, bombas, sistemas de climatização, carregadores de veículos elétricos e até eletrodomésticos podem ser programados ou gerenciados dinamicamente para operar fora do horário de ponta, reduzindo significativamente o custo final da energia sem perda de conforto.

Outro ponto relevante é a integração com geração distribuída e armazenamento. Em residências com sistemas fotovoltaicos e baterias, a automação pode otimizar o uso da energia gerada localmente, priorizando o consumo nos horários mais caros e armazenando energia nos períodos de menor tarifa ou maior geração solar. Essa lógica aumenta a eficiência econômica do sistema como um todo.

Por fim, a automação também contribui para a resposta à demanda, permitindo ajustes automáticos de carga em situações de pico do sistema elétrico, o que está alinhado aos objetivos da ANEEL de maior eficiência operacional, redução de custos sistêmicos e melhor aproveitamento das fontes renováveis.

Em síntese, a automação deixa de ser apenas um recurso de conforto e passa a atuar como uma ferramenta estratégica de gestão energética, fundamental para que consumidores de alto consumo se adaptem de forma eficiente ao novo modelo de tarifa horária.

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